Blog da Revista P@rtes


01/08/2007 19:45

Deputado Ciro Gomes (PSB-CE): "O PSB é a melhor alternativa

Uma das mais expressivas lideranças do Partido Socialista Brasileiro na atualidade, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) defende a redistribuição da riqueza do País como a melhor maneira de combater a exclusão social. Segundo ele, o PSB criou uma identidade com a população, por sua postura progressista, que tem a capacidade de formular e executar propostas.
Em entrevista à repórter Dinêz Costa*, do jornal PSB 40 Informa, o deputado comenta o apoio da legenda ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da relação que mantém com os partidos do bloco de esquerda na Câmara dos Deputados. Segundo o parlamentar, esse grupo tem o papel de "tencionar" a base de sustentação do Executivo, para que a hegemonia se incline mais às propostas de esquerda. Ciro, que constantemente é citado em pesquisas eleitorais como um dos melhores nomes para a sucessão presidencial, diz que só aceitaria ser candidato se fosse intérprete de um projeto para o Brasil, com o apoio dos partidos progressistas.
Confira a íntegra da entrevista:

Pergunta: Como se contextualiza o socialismo hoje no Brasil, um país ainda marcado pela desigualdade social?
Ciro Gomes: O Brasil é um país que tem uma contradição entre muitas contradições. Somos, entre todas as economias organizadas do planeta, a economia mais agudamente concentrada. Temos a mais perversa desigualdade. Isso quer dizer que se nós tivéssemos teoricamente uma economia política que tivesse a capacidade de distribuir a riqueza existente, seríamos uma imensa classe média, o que não seria uma realidade em muitos lugares, como na África, por exemplo, onde se houvesse a distribuição ainda restariam nações imensamente pobres. A economia política moderna que nós socialistas democráticos ajuizamos é aquela que, respeitando o talento e o arrojo da iniciativa privada, monta uma ferramentaria institucional em que o estado intervém para redistribuir o fruto do trabalho coletivo. Isso é tudo que o Brasil precisa. Por isso, o PSB está crescendo de forma expressiva, homogeneamente no país inteiro.

Pergunta: Esse crescimento é um reflexo de uma identificação da sociedade com a proposta do partido?
Ciro Gomes: A ânsia que a sociedade brasileira tem é de um postulado progressista de esquerda, não sectário, não exclusivista, capaz de ir além da crítica _ da denúncia indignada com relação às mazelas da desigualdade, especialmente a violência, o desemprego dos jovens, a desqualificação dos serviços públicos _, e assumir imediatamente a tarefa de formular alternativas e executar essas propostas, como é o caso do extraordinário governo que vem fazendo o nosso presidente Eduardo Campos, em Pernambuco; do nosso companheiro Cid Gomes, no Ceará; de Wilma de Faria, no Rio Grande do Norte; sem se falar em prefeituras consagradas de capitais, como o companheiro Ricardo Coutinho, de João Pessoa, na Paraíba.

Pergunta: Como é a relação do PSB com o governo de centro-esquerda do presidente Lula?
Ciro Gomes: Nós postulamos, dentro da amplíssima coalizão do governo Lula, uma hegemonia de centro-esquerda. Quem viveu como eu o epicentro daquela crise tremenda em que se escalou o golpe contra Lula, no mandato passado, sabe que o presidente está coberto de razão de alargar sua base de sustentação política. Isso por imposição da realidade brasileira, que o lançou numa interlocução com um flanco mais conservador, mais fisiológico, menos ético, mais à direita do espectro político brasileiro. Essa situação, entretanto, cria uma tensão porque há uma brutal heterogeneidade nessa base de sustentação e o papel nosso, como aliados tradicionais, alinhados pela idéia e não por qualquer outra ordem de fator, é tencionar por dentro dessa ampla aliança, ajudando para que ela se mantenha, tencionado para que a hegemonia, a média, penda mais para o lado dos valores de esquerda, socialistas, do que para a direita.

Pergunta: E quanto ao bloco formado por PSB, PDT, PCdoB, PMN, PRB e PHS, quais são as perspectivas para esses partidos?
Ciro Gomes: Acho que as perspectivas são as mais generosas possíveis, pelo mesmo conjunto de valores. Nós não queremos excluir ninguém, porém temos que ter clareza e isso está se revelando para o país: nós temos vocação aliancista. Não temos a presunção de sermos donos solitários da verdade. Sabemos o rumo que queremos para o Brasil e esse é um rumo progressista, é fazer uma aliança para que haja distribuição de renda, erradicação da miséria, combate à desigualdade, enfrentamento institucional. O que não vale é fazer aliança para paralisar o país. Não vamos trocar idéia por volume, isso é uma tarefa do governo, ele tem o nosso apoio, porque afinal de contas o Executivo precisa de maioria no Congresso Nacional e nós estamos completamente solidários com isso. Porém, no debate político não há razão para que se troque proposta por volume.

Pergunta: E no embate eleitoral, o senhor acha que essa frente de esquerda vai sair forte nas eleições municipais de 2008?
Ciro Gomes: Nossos dirigentes estão percebendo as coisas com muita lucidez. Sabemos que nossa mais grave responsabilidade conjuntural é apoiar o governo Lula, ato contínuo é tencionar esse governo fraternalmente em direção a uma agenda progressista, na defesa do interesse nacional, nas relações internacionais, no fortalecimento de uma economia distributivista da renda brasileira, na moralização dos costumes e instituições públicas, na modernização das nossas instituições políticas e tributárias, enfim de todas as institucionalidades. Nossa missão também é ajudar no esforço de organização do movimento popular, em direção a um Brasil que represente uma conquista do conjunto da sociedade. O processo eleitoral nas cidades tem um papel absolutamente relevante. Já começamos a analisar esse assunto, preferencialmente mapeando as possibilidades da própria frente de esquerda em cada uma das grandes cidades brasileiras.

Pergunta: O seu nome tem aparecido em pesquisas para a sucessão presidencial, em segundo e ou em terceiro lugar na preferência do eleitorado, como o senhor avalia essas pesquisas?
Ciro Gomes: Acho isso completamente diletante. Compreendo, porque o jornalismo vive de procurar adivinhar o futuro; a política também é muito de especulação e quem já acumulou vivência sabe que o que importa nesse instante é garantir o êxito dessa etapa do governo Lula. Acredito que devemos lutar por mais de uma candidatura, uma proposta com começo, meio e fim, que diga o que será o Brasil, garantindo a preciosa conquista que representou o governo Lula, como um avanço que pode se aprofundar se o PAC tiver êxito. Se as políticas de crescimento econômico funcionarem, se as políticas de distribuição de renda funcionarem, se houver êxito no conjunto de intervenções em infra-estrutura (são 1.646 planejadas, já algumas delas em franca execução), o Brasil terá perspectivas risonhas, em favor do nosso povo.

Pergunta: Quais seriam alternativas para disputar a Presidência da República?
Ciro Gomes: No nosso campo tem muita gente capaz de desempenhar esse papel. No PSB, temos o presidente Eduardo Campos, que tem todas as qualidades para eventualmente ser o nosso candidato. Se fosse essa a minha tarefa, eu também seria bastante honrado, mas sei que não posso ser candidato de mim mesmo, só aceitaria ser candidato se fosse como intérprete de um projeto. Temos também nomes como Cristóvam Buarque, que já foi candidato a presidente da República, e o Paulo Pereira da Silva, ambos do PDT, como também temos o companheiro Aldo Rebelo, do PCdoB. Enfim, há muitos quadros que podem concorrer. O fundamental é saber para onde levar o país e, em seguida, aquela mulher ou aquele homem que melhor interpretar esse processo é quem deve nos guiar.

(*) Entrevista publicada pelo sítio eletrônico da Liderança do PSB na Câmara dos Deputados


enviada por Gilberto Silva






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)